quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Qual será sua data de validade?

       
           Não se pode negar que um dos maiores medos do ser humano, senão o maior, é o medo da morte. Medo de morrer e principalmente de vivenciar a morte de alguém muito próximo. No entanto, gostaria de saber por que após tantas centenas de anos de pessoas nascendo e morrendo, a humanidade (eu totalmente incluída na história) ainda se assusta quando o encapuzado da foice chega. É uma choradeira, uma angústia e uma sensação de surpresa de como isso pôde acontecer? Ora, não é essa a única certeza que temos na vida? A certeza de que cedo ou tarde será esse o nosso destino? Concordo que a morte prematura possa causar um abalo muito maior, mas não é algo impossível de acontecer.

          Por que ninguém pensou ainda em adicionar na grade curricular das crianças uma matéria que trate desse assunto? Ou mesmo algumas aulas, já que um ano inteiro de aulas sobre a morte poderia ser de matar (não podia perder o trocadilho!). É obvio que nunca alguém poderá estar preparado para enfrentar o desaparecimento para sempre de um ente querido, mas ensinamentos de como lidar com essa situação trazendo-a mais próxima à nossa realidade poderia ajudar no momento do luto, seja através da religião, da arte, da filosofia.

          Sobre a questão da imprevisibilidade da morte, até já cheguei a uma teoria futurista, em um de meus constantes momentos de reflexões. Hoje já ouvi no rádio sobre o primeiro bebê nascido no Brasil com genes selecionados, sem a doença da irmã, mas com genes compatíveis objetivando a ajuda em sua cura, algo que há algumas décadas era considerado um trabalho impossível. Da mesma forma, acredito que logo - quem sabe meus netos possam vivenciar – cada pessoa nascerá com uma espécie de manual. Este conterá informações como doenças adormecidas que poderão aflorar - já que nem todas as doenças são identificadas geneticamente - altura e peso previstos e prazo de validade. Como assim, prazo de validade? Validade mesmo, ou seja, por quantos anos este ser viverá. Com a data marcada no RG e tudo. Já pensou que legal? Ou não. Com isso, se pouparia dinheiro e tempo com coisas inúteis, os dias seriam mais aproveitados e todos estariam relativamente preparados, como se o viajante já estivesse com a passagem aérea só de ida comprada. Por outro lado, nos últimos meses de vida, se o coitado quisesse comprar parcelado, não teria o crédito aprovado em lugar nenhum!

          Bom, viagens à parte, precisamos estar mais conscientes desse acontecimento impreterível e principalmente preparar nossos filhos, já que tal função não poderá ser delegada à escola! Mas a verdade é que devemos aceitar a imprevisibilidade da vida e aproveitar seus minutos, que parecem voar de nossas mãos, abraçando mais quem queremos bem e dizendo com maior freqüência eu te amo. E cuidando da alimentação, afinal, antes tarde do que já.

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