segunda-feira, 26 de março de 2012

Sobre o caso Thor Batista

          Algumas notícias às vezes me incomodam e como ostra feliz não faz pérola*, preciso escrever aqui sobre esta.

          Por que sempre temos o instinto natural de ver o rico como o culpado e o pobre como o inocente?
          A primeira conclusão que todos chegam é sempre essa. Há mais ou menos um ano, um carro fez uma curva muito rapidamente, bateu no carro em que eu estava, causou um estrago e fugiu. Uma senhora que estava na janela viu tudo e disse: - "Tenho certeza que é um dos ´boyzinhos´ que moram naquele condomínio de mansões!". História real, e infelizmente o motorista não morava no condomínio.
          Mas por que será que isso acontece? Por que relacionamos tão rapidamente a riqueza à má índole? Será que é inveja, raiva do sucesso do outro?
          Tem tanta gente pré-julgando o garoto Thor só porque estava dirigindo um carro milionário e é filho de um dos homens mais ricos do mundo! Até pode ser que ele estivesse em alta velocidade, já que era uma McLaren, mas se fosse um carro popular fabricado há 10 anos com um senhor de roupas simples dirigindo, será que a situação mudaria? Não quero aqui tomar partido, até porque não sabemos o que de fato aconteceu - apesar de já ter sido divulgado que o ajudante de pedreiro atropelado tinha alta quantidade de álcool no sangue!- mas o que a gente precisa perder é a mania de associar quem é bem sucedido com quem é malandro! Quem nunca ouviu: -  Nossa, que carrão, ele deve estar roubando! Por quê?
          E essa cultura sempre foi muito retratada em novelas e filmes. Perceba que sempre a pessoa maldosa da trama é a mais rica!
          Não conheço o Sr. Eike, nem mesmo sei detalhes de como construiu sua pequena fortuna, mas sei que dinheiro compra muita coisa e muita gente. Por tal motivo, não me cabe julgar o caso.
          Qualquer pessoa pode se tornar próspera, seja por seus atos, seu trabalho, ou por eventualidades, como um prêmio ou herança. São poucas as vezes que isso acontece de maneira ilegal ou antiética.
         O importante é criarmos o hábito de ver as pessoas além dos olhos, analisando a alma, sem julgar baseando-se na cultura, na cor, na classe social, na religião, na condição física! Existem pessoas BOAS e MÁS que residem nas favelas, nas mansões, que frenquentam a igreja, que moram nas ruas, que são brancos, negros, asiáticos, católicos, judeus, evangélicos, intelectuais, analfabetos, modelos, portadores de deficiência física, trabalhando no Congresso, no bar, nos faróis! Essa dualidade está presente em qualquer situação. 
          Diga não a qualquer tipo de pré-conceito! Pode ser difícil, mas não custa tentar. Nunca se sabe quem poderia estar dirigindo a tal da McLaren! Seu pai, seu filho, você! Pense nisso!



*Ostra feliz não faz pérola, livro maravilhoso de RUBEM ALVES, que conforme o título acredita que a criação surge sempre de uma dor, ou de algo que incomoda.

Um comentário:

  1. Rê infelizmente ainda há muito o que mudar nessa nossa sociedade!!! Com certeza ocorre muito preconceito a respeito de tudo, da raça, da etnia, da condição social... também não sei sobre como Eike construiu a sua fortuna, mas as pessoas não sabem que por trás dessa "fortuna" há uma luta, uma dedicação, pois nada vem fácil... e o que vier, vai embora fácil também!!! Olhar além das roupas, da "casca", do que os olhos realmente vêem é assim que podemos nos respeitar, tenho fé!!! Bjusss

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