quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sobre as cotas...



          Bom, para quem estava em outro planeta, no final do mês passado a nossa Corte Suprema de Justiça declarou constitucional as cotas para negros nas universidades do Brasil.

          Vamos às minhas reflexões:

          A ideia é ótima para os negros que de fato querem estudar, tiram boas notas, não faltam às aulas e que por qualquer motivo não tenham tido a oportunidade de custear uma boa faculdade para seu aperfeiçoamento.

          Só que infelizmente não é sempre assim, nem mesmo será tão fácil assim.

          Primeiro, qualquer forma de separação e de discriminação gera e aprofunda sentimentos de desunião em uma sociedade. Nas universidades onde as cotas já vêm sendo aplicadas, os alunos negros podem ser considerados por seus colegas de classe menos capazes por possuírem explicitamente em sua cor de pele a forma pela qual conseguiram seu ingresso - "com uma ajudinha" das cotas (apesar de muitos negros e pardos preferirem entrar pela forma convencional).

         Segundo, conforme a experiência americana (assista a esse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=zoBpHaayomc&feature=player_embedded#!) ao se colocar um aluno despreparado intelectualmente para frequentar cursos que requeiram grande base de conhecimento, ou se baixa o nível das aulas para que os alunos mal preparados acompanhem, ou muitos alunos desistem por não conseguirem alcançar seu ritmo, gerando mais frustração ao indivíduo.

         Terceiro problema, o modo pelo qual esses alunos são selecionados é duvidoso! Como é possível que dois irmãos gêmeos univitelinos possam ter diferentes decisões no momento da escolha para a cota (veja a reportagem http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL43786-5604-619,00.html)? A foto de um estava com mais sombra que a do outro? Essa escolha parece ser quase subjetiva!

          Apesar de muitos citarem a questão da dívida que o Brasil deve ao povo negro por terem vivido por séculos em escravidão - o que concordo - esse argumento não justifica a compensação em cotas para o estudo.

          O que é necessário é o incentivo já no ensino básico e fundamental aos alunos que de fato queiram aprender, seja ele branco, negro, ÍNDIO, pardo, oriental! Se o ensino público não é capaz de prepará-los (e essa mudança requereria uma grande revolução no sistema de ensino, a começar pela formação e remuneração dos professores) que existam, portanto, normas que obriguem escolas de qualidade a fornecerem bolsas de estudos e incentivos a alunos pobres que tenham esse interesse e motivação.  Há muitos alunos brancos e ricos que fazem seus pais jogarem dinheiro na lata do lixo enquanto pagam seus estudos caros, por não terem qualquer interesse em estudar. Da mesma forma, existem alunos negros e pobres que também não têm esse interesse! Agora, acompanhe meu raciocínio: conheço dois jovens de 16 anos (conheço e convivo diariamente) que moram na mesma favela aqui do ABC. Os dois frequentam a mesma precária escola pública. Um tem só a mãe e o outro só o pai que lutam sozinhos para trazerem comida à mesa. Ambos querem se formar e conquistar bons empregos. Um pode entrar na universidade com maior facilidade por ser negro e o outro terá que disputar uma vaga com alunos mais preparados da maneira convencional, por ser branco. Os dois são filhos desse Brasil de luta. É justo?

          Injusto também é o fato de boas faculdades públicas serem frequentadas por alunos ricos que puderam pagar ótimos cursinhos enquanto o pobre, além de ter que pagar caro para assistir às aulas em faculdades particulares, muitas vezes não recebe um preparo de qualidade!

          Infelizmente em nosso país o estudo ainda é pouco valorizado e muitos ainda aplaudem aqueles que chegaram ao topo sem ter completado o primeiro grau e cometendo erros fatais de português (deixo claro que o ex-presidente Lula tem muitas qualidades de liderança e o admiro por sua força de vontade em vencer, principalmente agora em um momento delicado de sua saúde). Mas o engraçado é que na hora de uma operação de risco, qualquer pessoa - e eu disse qualquer pessoa mesmo - se puder escolher entre dois médicos cirurgiões, com certeza irá escolher o médico mais preparado intelectualmente e graduado com mérito para cuidar de sua delicada vida!

PS. Essa é  minha opinião com base nas informações que tenho. Pode ser que em algum momento ela mude se encontrar fundamentos que me convençam! De qualquer maneira,VIVA a liberdade de expressão! Respeitemos os pontos de vista!

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