segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Aprendendo com a Semana de Moda de Nova Iorque

         Minha primeira experiência na Semana de Moda de Nova Iorque foi uma loucura. Trabalhar sabendo que as roupas que eu estava tocando sairiam em alguns segundos na mídia mundial enquanto eu esbarrava em celebridades que só via no canal E! foi um tanto surreal. Não exatamente porque as roupas ou as pessoas fossem importantes pra mim, mas por chegar à conclusão que tudo gira em torno da expectativa criada pelas imagens produzidas pela mídia. Começando pela entrada do Lincoln Center, palco principal dos desfiles da semana. Lá o objetivo é ser fotografado. Blogueiras de moda, socialites, editoras de grandes revistas, artistas, estilistas e estudantes se misturam e alguns deles imploram implicitamente para serem clicados e aparecerem em alguma coluna social. E o mais engraçado é que aparecem! Vestir uma roupa excêntrica, falar no celular, andar com pressa e torcer para que alguém, ainda que com uma máquina amadora, pare e tire uma foto para atrair a atenção dos demais fotógrafos é o que a maioria dos flash addicteds pedem. Estava do lado de um japonês que tirou umas quinze fotos de uma garota com um salto rosa altíssimo e quando terminou perguntou bem baixinho pra ela “What is your name?”. Vi meninas se infiltrando no meio dos convidados que saiam do evento para que parecessem ter acabado de assistir aos desfiles e por isso serem vistas como uma possível celebridade ou alguém pelo menos importante no mundo da moda. É realmente um circo montado!

Backstage Whitney Eve - foto Zimbio

          Já nos bastidores, muitos bons profissionais estão envolvidos. Claro que para organizar um evento desse porte é necessária muita gente competente e responsável, já que um errinho pode ser eternizado nas páginas das maiores revistas. E é lá atrás dos holofotes da passarela que a gente realmente entende que a vida de modelo de fato não é só glamour. Elas são consideradas verdadeiros cabides ambulantes, que precisam andar perfeitamente em saltos que muitas vezes são menores que seus pés e que terminam de estourar as bolhas nos dedinhos surgidas dos desfiles anteriores! Mas é claro que elas não são vítimas. Aliás, elas adoram quando aguardam o momento de se vestirem e um fotógrafo aparece para tirar uma foto descontraída enquanto enviam uma mensagem no celular. Mas definitivamente o glamour que a gente vê e às vezes cobiça em revistas é muito bem calculado e executado com a intenção exata de criar determinadas sensações nos leitores. E nem sempre retrata uma situação real ou um momento verdadeiramente despretensioso.


Lições de uma Semana de Moda em Nova Iorque:

 

- Quem não tem um IPhone, no mínimo geração 4, merece viver em uma caverna (me senti assim com meu velho Blackberry!)

- Depois de passar tanto tempo perto de modelos magérrimas me senti um bolinho redondo de batata….. que foi feito sem fermento e não atingiu a altura necessária!

- Fotos não fazem jus à beleza dos tecidos de certas coleções – Hello Zac Posen!

- E ao mesmo tempo, fotos disfarçam roupas muito mal acabadas de estilistas que não merecem a publicidade que recebem!  - no comments

- Se você quiser construir uma rede de contatos no mundo da moda tenha algo a oferecer, como por exemplo, um outro bom contato, ou vão pensar que você é apenas um oportunista.

- Como diz minha amiga Flavia Saleme (Rasgando a Seda) – “modelo arrogante não aparece na temporada seguinte”, ou seja, não importa a profissão, sem um pouco de humildade e um sorriso no rosto não se chega a lugar nenhum.

 


Obs. Se você ainda não percebeu, volte na foto acima e repare como as pessoas que trabalham no backstage parecem preocupadas!  ;)    

2 comentários:

  1. Parabéns Re! adorei! saudades JÁ! - logo logo vou dar um jeito de dar uma passada ai na tua terra! e VAMOS NOS VER NÉ?!
    Daniela Forbrig (colega de trabalho hahahaha)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah que linda, minha Fashion Week Friend! Saudades dessa vida! Beijos

      Excluir